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Entrevista com Fred Kent, do Project for Public Spaces.

Construir, gerir e planejar espaços públicos pensando na convivência entre as pessoas, na escala humana e na qualidade de vida. Essa é a principal ideia do Conselho Brasileiro de Lideranças em Placemaking (CBLP), lançado nesta segunda-feira (6) em São Paulo. A ação do Conselho envolveiniciativa privada, setor público, entidades do terceiro setor, meio acadêmico e a sociedade.

O Placemaking significa a construção, gestão e planejamento dos espaços públicos voltado para as pessoas, visando transformar ‘espaços’ em ‘lugares’ que estimulem maiores interações e promovam comunidades mais saudáveis e felizes.

Fred Kent, presidente da Project for Public Spaces, é um dos principais apoiadores da iniciativa. Sua organização é uma das mais ativas na promoção do Placemaking internacionalmente, considerada a principal referência no tema atualmente.

 

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Fred Kent no primeiro encontro do Conselho Brasileiro de Lideranças em Placemaking

A UPSA conversou com Fred Kent durante o lançamento do evento e o especialista falou sobre a importância de ações como a criação do CBLP e cita exemplos do incremento dos espaços públicos voltados para a população em todo mundo.

Qual a avaliação do senhor sobre a criação do primeiro Conselho de Lideranças em Placemaking (CBLP) no Brasil?

É muito gratificante ter esse Conselho, porque os brasileiros são pessoas apaixonadas e essa paixão pode ser manifestada através das cidades, que respondem a essas paixões e necessidades das pessoas. A criação do Conselho é uma grande revolução.

Dentre as cidades do mundo que o senhor visitou, quais estão mais avançadas em criar espaços públicos voltados para as pessoas?

A implementação do processo de placemaking vem crescendo e está tomando um novo papel, outro nível de interesse. Semana passada eu estava na Ásia e há duas semanas na Argentina e você fica empolgado em ver como as cidades que visitei nessas regiões estão crescendo de maneira ordenada, costumavam ser cidades desestruturadas. Você percebe que as pessoas e os governos estão se esforçando para algo acontecer ali.

De que forma o placemaking agrega valor à qualidade de vida da população?

Bons lugares contribuem para que as pessoas se sintam bem e felizes. O placemaking permite que as pessoas compartilhem, experimentem, se abram a novas experiências, tenham afeição pelos lugares. É sobre conhecer outras pessoas, viver em um lugar confortável. Esse conceito possibilita fazer muitas coisas. Ter um bom lugar para viver é maravilhoso e faz você querer estar ali e voltar algum dia, caso seja um visitante.

A forma de pensar o placemaking é sempre voltada para as comunidades, bairros, cidades e ambientes menores para que os espaços possam se formar em torno daquela comunidade?

Você precisa começar por um lugar e assim as outras coisas se constroem por consequência em volta dele. Por exemplo, se você tem um prédio antigo, é necessário reformar esse prédio para que as outras coisas comecem a se desenvolver em volta dele. Se é um lugar público, é preciso trazer mais humanidade para ele, mais do que a parte física do lugar. As pessoas gostam disso, mais do que o design em si.