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MAPEAMENTO COLETIVO de PROJETOS e INICIATIVAS

Chegou a data da aguardada PLACEMAKING WEEK em Vancouver, Canadá!
Para celebrar este que pretende ser o maior encontro de Placemaking de todos os tempos, a gente vai lançar um campanha de MAPEAMENTO COLETIVO de todos os PROJETOS e INICIATIVAS que dialogam com a abordagem do Placemaking, aqui no Brasil

Depois do processo de mapeamento dos entusiastas do Placemaking espalhados pelo território brasileiro, agora queremos descobrir tudo de mais interessante já criado para melhorar a qualidade dos espaços públicos das cidades brasileiras.

O processo para o mapeamento é muito simples, basta enviar um email para mapeamento.placemakingbr@gmail.com com as seguintes informações:

– nome do projeto/iniciativa
– endereço do projeto/iniciativa
– data do projeto/iniciativa (da concepção e, se for o caso, da implementação)
– breve descrição (máx. uma página)
– plantas, esquemas e/ou fotografias

Assim como o próprio Placemaking, nossos mapeamentos são trabalhos que nunca terminam, são processos contínuos, portanto nunca deixe de contribuir com informações!

Participem de todas as nossas redes, entrem em contato e ajudem a difundir novas práticas para transformar os espaços públicos das nossas cidades em lugares especiais para desfrutarmos da vida coletiva.

Placemakers, vamos juntos criar este movimento.

Se 2014 foi o ano de criar o CBLP, 2015 é o ano de estruturar o movimento e ganhar o Brasil!

A ideia é que todos os membros participem do Conselho como achar mais interessante. Você pode compartilhar as teorias e práticas do Placemaking; produzir conteúdo para o blog e para as redes sociais do CBLP; promover cursos, eventos e projetos que tenham o conceito como base; entre outros.

No momento, um grupo de 4 pessoas está envolvido com as publicações e planejamento de eventos. Mas se queremos que o movimento ganhe força e seja realmente representativo, este grupo precisa ser muito maior.

Imagem: Project for Public Spaces.

Imagem: Project for Public Spaces.

Como você quer participar do CBLP?

Criamos um breve formulário, onde todos os membros podem colocar suas informações e escolher uma forma de envolvimento com o Conselho. Assim, vamos conseguir nos organizar e definir juntos os próximos passos.

Clique aqui e responda o formulário. 

Conheça um pouco das modalidades de participação e escolha uma delas no formulário:

CURIOSO – antes de mais nada, é um entusiasta do Placemaking. Não quer ter obrigações formais com o Conselho, mas firma o compromisso de ajudar a espalhar as teorias e práticas de Placemaking pelo mundo.

CONSELHEIRO – além de atuar como um difusor do Placemaking, o Conselheiro quer colaborar com conteúdo para a comunidade Brasileira de Placemakers. O conteúdo será publicado no blog e redes sociais do Conselho.

LÍDER LOCAL – quer atuar de maneira contínua, empoderando as comunidades locais com ferramentas para transformar “espaços” em “lugares”, promovendo eventos e treinamentos relacionados a Placemaking, além de incluir o Placemaking na agenda política e técnica dos governos municipais.

LÍDER NACIONAL – é um incansável, quer promover a discussão a respeito de Placemaking no contexto brasileiro, envolvendo todos os setores da sociedade, divulgando as iniciativas de humanização dos espaços públicos, promovendo a troca de ideias e experiências. Quer empoderar as comunidades urbanas com eventos e treinamentos, representando o Conselho. Terá a missão de colocar o Placemaking na agenda política e técnica dos governos municipais, estaduais e federal, incluindo o tema na agenda dos representantes brasileiros em conferências internacionais, além de participar das reuniões estratégicas dos conselhos Nacional e Internacional.

Vamos criar este movimento juntos?

Obrigado!

 

Placemaking, urbanismo e o futuro dos espaços públicos

Possivelmente a tendência mais forte do urbanismo contemporâneo é a busca e o resgate da escala humana perdida nos tempos do urbanismo moderno. Além de proporcionar cidades ‘caminháveis’ e espaços nos quais as pessoas gostam de estar, nos últimos anos o foco de ações urbanas relacionadas à adaptação às mudanças climáticas, resiliência, sustentabilidade, segurança, entre outros aspectos, tem se voltado para as necessidades da comunidade. Em outras palavras, soluções urbanas devem seguir uma abordagem de ‘baixo para cima’ (bottom up) ao invés de uma abordagem ‘de cima para baixo’ (top down)[i][ii]. Para que se obtenha sucesso nessas ações, nada melhor do que construir ‘lugares’ (placemaking) e evitar não-lugares (placelessness), já que é da natureza humana cuidar dos espaços quando de alguma maneira nos preocupamos com eles[iii].

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Re:START Container Mall (Christchurch, Nova Zelândia)

 

No clássico Place and Placelessness, Edward Relph[iv] identifica três componentes de lugar: o espaço físico, as atividades que nele acontecem e o significado que ele adquire. Relph enfatiza que desses três componentes provavelmente o mais difícil de ser compreendido é o significado e, ainda assim, ele é de vital importância. Significados levam tempo para se desenvolver e espaços precisam desse tempo para que se tornem lugares, como explica Tim Cresswell[v]:

“Espaço tem sido visto como uma distinção de lugar, como uma área sem significado (…). Quando seres humanos atribuem significado ao espaço, e de alguma maneira tornam-se conectados a ele (a atribuição de um nome é um exemplo), este espaço torna-se ‘lugar’. Apesar desse dualismo dos conceitos de espaço e lugar estar presente na geografia desde a década de 70, ele tem sido confundido com a ideia de espaço social – ou o espaço produzido pela interação social – o qual em muitos aspectos tem o mesmo papel de ‘lugar’.”

A diferença fundamental entre lugar e espaço social é que, desde que haja significado, o lugar existe sempre, com ou sem atividade social. Por outro lado, o espaço social só existe quando há interação social. Lugar é normalmente fruto de intervenções significativas na escala de desenho e até planejamento urbanos. Lugares precisam de conexões urbanas fortes e planejadas, precisam se tornar parte de cotidianos urbanos, precisam ter qualidades que as pessoas apreciem e então desenvolvam uma ligação especial com essas áreas, praças, cantos, sejam eles do tamanho que forem.

E é justamente nesse ponto em que placemaking torna-se ao mesmo tempo uma solução e um risco. Ativar espaços é muito importante, pois é fundamental que haja vida e vitalidade em espaços públicos. Mas da mesma maneira é importante que se perceba que, na grande maioria dos casos, a ativação de um espaço é necessária justamente porque o projeto urbano falhou. A ativação de espaços por evento é criação de espaço social, e muitas vezes quando o evento acaba, o espaço morre com ele. A criação de lugar, por outro lado, é mais profunda e permanente.

Re:START Container Mall (Christchurch, Nova Zelândia)

Re:START Container Mall (Christchurch, Nova Zelândia)

Para que se construa um lugar para a comunidade, ou um senso de lugarsense of place[vi] – é necessário que haja certa permanência, que se dê tempo à comunidade para que os significados desse lugar sejam desenvolvidos e apreendidos. Uma alternativa possível aos espaços efêmeros é o planejamento de atividades sociais por um período suficientemente longo, um espaço de tempo que sirva de âncora para que comunidade e autoridades locais percebam o valor da área, invistam nela e a tornem permanentemente viva. Senso de lugar[vii] refere-se ao que o espaço tem de único, que não é replicável, e cabe aos urbanistas entender quem são os usuários da cidade, como eles vivem, o que eles gostam de fazer, o que diferencia uma comunidade da outra, e traduzir esses aspectos em projetos urbanos eficazes e permanentes. Essas dimensões têm que ser incorporadas em políticas públicas e levadas em consideração desde os primeiros passos do planejamento e desenho urbanos (place-led development).

Por fim, placemaking deve ser pensado e abordado ao mesmo tempo como uma ideia abrangente e uma ferramenta prática para melhorar comunidades, cidades e regiões. Assim, ativação temporária de espaços pode e deve servir de laboratório e experimentação. Mas para que se os lugares vivam a longo prazo, o desenho e planejamento urbanos são fundamentais. Tentar ativar permanentemente uma área desconectada da malha urbana é infinitamente mais complicado do que um espaço que faz parte do dia a dia, do caminho para o trabalho, para o supermercado, a escola, ou a universidade. Por outro lado, se estivermos entendendo corretamente a mensagem e tirando proveito do laboratório de hoje, a ativação de espaços será cada vez menos necessária, pois teremos cada vez mais projetos urbanos bem sucedidos. Projetos efêmeros e de pequena escala são poderosos para que se teste soluções urbanas, mas eles não são a solução, ou um fim em si. Um impacto mais profundo em relação ao ‘conforto urbano’[viii], tornando os lugares permanentes, requer tanto desenho (em termos de qualidade do lugar) e planejamento urbano (usos e conexões, por exemplo). Fortes conexões e relações com o entorno onde estão inseridos, fachadas ativadas através de usos comerciais no primeiro piso e interações interior-exterior, acessos e trânsito, sol e controle de ventos, são alguns dos aspectos fundamentais para a consolidação de lugares. Placemakers, urbanistas e governantes precisam trabalhar juntos, testar e entender soluções, para então traduzí-las em projetos permanentes.

[i] Smit, B., Burton, I., Klein, R. T., & Wandel, J. (2000). An Anatomy of Adaptation to Climate Change and Variability. Climatic change, 45(1), 223-251. doi: 10.1023/A:1005661622966

[ii] Vallance, S., & Perkins, H. (2010). Is another city possible? Towards an urbanised sustainability. City, 14(4), 448-456. doi: 10.1080/13604813.2010.496217

[iii] Meyer, E. K. (2008). Sustaining beauty. The performance of appearance. Journal of Landscape Architecture, 3(1), 6-23. doi: 10.1080/18626033.2008.9723392

[iv] Relph, E (1970). Place and Placelessness. London, UK: Pion Ltd.

[v] Cresswell, T. (2004). Place: A Short Introduction. Oxford, UK: Wiley.

[vi] Tuan, Y.-F. (1977). Space and Place: The perspective of experience. Minneapolis, MN, USA: University of Minnesota Press.

[vii] idem

[viii] Conforto urbano combina aspectos da sociologia urbana e do conforto ambiental em espaços públicos. Essa abordagem se dá através das possibilidades de adaptação humana aos diversos microclimas urbanos como um produto cultural mais do que puramente uma fisiológico. Conforto urbano considera que, quando em espaços urbanos, seres humanos se adaptam ao microclima desde que haja razão para tal, e que essa razão varia de acordo com a cultura e a experiência do usuário. A teoria de conforto urbano foi o tema do doutorado da autora deste artigo na Lincoln University (Christchurch, Nova Zelândia)

 

Texto de: Silvia Tavares

Silvia é pesquisadora, brasileira e mora na Nova Zelândia. Ela entregou a tese de doutorado na Lincoln University em julho de 2014 e em seguida passou seis meses na Alemanha trabalhando como pesquisadora visitante no ILS (Research Institute for Regional and Urban Development). Silvia desenvolve pesquisa focada em conforto urbano, projeto e microclima urbanos, bem-estar, saúde pública e mudanças climáticas. Ela pode ser encontrada através do site http://silviatavares.com, e no twitter como @silgtavares.

O Futuro das Cidades

Um das referências pesquisadas durante nossa estadia na Project for Public Spaces (PPS) foi o documento “Placemaking and The Future of Cities” (Placemaking e o Futuro das Cidades). O documento divulga os 10 melhores casos de projetos em espaços públicos selecionados pela PPS em parceria com a UN-Habitat, que se comprometeram em unir forças e lutar por um desenvolvimento urbano sustentável.

placemaking

 

Esse documento tem o objetivo de servir como modelo para outros projetos em espaços públicos e tem o intuito de partilhar ferramentas, exemplos e processos para servir de inspiração para outras cidades. O conteúdo da publicação deve evoluir e ser expandido ao longo do tempo, incorporando os resultados de iniciativas bem sucedidas de placemaking que forem surgindo pelo mundo.


Seguem 3 casos inspiradores divulgados em “Placemaking & The Future of Cities”:

 

TOP 1. Medelín, Colombia: Conectando a cidade

A cidade de Medellín, na Colombia, construiu um sistema de transporte público que une os bairros “formais” e “informais” (as nossas favelas), melhorando a qualidade de vida nas ruas e contribuindo para a inclusão social. O Medellín Metrocable, um bonde aéreo, conecta os bairros periféricos da cidade, que antigamente eram consideradas áreas com alto índice de criminalidade. Moradores da periferia, que eram tradicionalmente marginalizados, agora têm acesso rápido ao principal sistema de metrô da cidade. Uma conexão que costumava representar uma caminhada difícil, tendo que subir e descer centenas de degraus ou mesmo um “lotação” bem demorada, virou um paraíso para os moradores, rápido, acessível e inclusivo.

Medellín Metrocable Linea J – Foto Steven Dale

Medellín Metrocable Linea J – Foto Steven Dale

Com a construção do Metrocable, a cidade teve a oportunidade de investir na melhoria das periferias, antes negligenciadas. Praças nas entradas do bonde se tornaram centros culturais vivos e divertidos do bairro, com venda de alimentos, cadeiras e paisagismo. Parques, quadras esportivas e livrarias foram construídas nas proximidades. Novas escolas foram construídas e as mais antigas foram melhoradas. A implementação de passarelas de pedestres ligando as partes da cidade que costumavam ser controladas por gangues contribuiu para que as taxas de homicídio desaparecessem (Medellín era considera uma das cidades mais perigosas do mundo). Não só isso, as pessoas de outros bairros da cidade agora se sentem seguras para subir o morro e conhecer novos bairros.

 

TOP 2. México: Espaços Inclusivos

No México, o programa SEDESOL, do Ministério do Desenvolvimento Social, “ressucitou” 42.000 espaços públicos em todo o país nos últimos cinco anos.

O “resgate” dos espaços públicos é um programa que promove a realização de ações sociais e a execução de obras físicas para criar pontos de encontro na comunidade, interação social e entretenimento cotidiano em áreas urbanas marginalizadas e abandonadas.

México - Zocalo

México – Zocalo

O projeto tem como objetivo ajudar a melhorar a qualidade de vida e segurança através da revitalização dos espaços públicos. Além disso, a iniciativa quer conectar o desenvolvimento urbano com o desenvolvimento social; promover a organização e participação das comunidades; aumentar a segurança das comunidades e prevenir ações de vandalismo, ajudando a reforçar o sentimento de pertencimento comunitário e a convivência entre todos.

 

TOP 3. Gyumri, Armenia: Estratégia Simples, Rápida e Barata

Em 1988, Gyumri foi atingida brutalmente por um terremoto que deixou 25.000 mortos e mais de 100.000 pessoas sem teto. Em 2001, Aram Khachadurian, ex-Chefe de Operações da PPS, ingressou no Instituto Urbano para ajudar a construir milhares de unidades habitacionais para as famílias deslocadas, que ainda viviam em abrigos temporários em espaços públicos por toda a cidade. Com o sucesso do programa de realojamento, a praça central da cidade se tornou, novamente, do público, abrindo o caminho para planejar sua revitalização.

Foto: Project for Public Spaces

Foto: Project for Public Spaces

Em julho de 2003, Gyumri realizou a primeira tentativa desde o terremoto de reativar a vida pública que havia neste centro cultural. Parceiros locais do projeto, incluindo o Instituto Urbano e um comitê local de arquitetos, planejadores, ONGs e autoridades da cidade, ajudaram no processo. Apesar do receio de que todo esse esforço poderia falhar, pois em 6.000 anos de história da Armenia essa participação dos cidadãos tem sido praticamente desconhecida, mais de 70 pessoas participaram de um workshop de um dia inteiro de placemaking. O entusiasmo imediatamente provocou uma colaboração intersetorial na cidade em uma escala sem precedentes. O resultado foi o “New Gyumri Festival” e a “Placemaking EXPO”, que ocorreu apenas dois meses depois. O povo de Gyrumi viu sua praça cheia de pessoas (cerca de 35.000) pela primeira vez na vida!

Entre a longa lista de eventos e melhorias, podemos citar:

  • Um mercado de flores, que desde então se tornou um evento regular bi-semanal
  • Uma pista de patinação de asfalto
  • Um tabuleiro de xadrez gigante feito de madeira pelo clube de xadrez local
  • Sete cafés
  • Iluminação noturna
  • Instalação de novo mobiliário urbano
  • Uma feira de arte
  • Performances, danças, competição de luta livre, ginástica e programas infantis
  • Jardins de flores plantadas pela igreja
  • Novos banners e sinalização de rua
  • Divulgações diárias pelos noticiários televisivos
Gyumri Arts & Craft Festival (Fonte)

Gyumri Arts & Craft Festival (Fonte)

Este evento foi um marco seguido por outros eventos na praça e faz parte de um ressurgimento de uma vida em espaços públicos. Hoje em dia, Gyumri continua com seu processo de revitalização, agora com muitas pessoas bem conscientes do poder de intervenções Rápidas, Simples e Baratas.

 

Texto de: Paola Caiuby.

Este texto foi produzido com base no trabalho realizado com a Project for Public Spaces em fevereiro de 2015, apoiado pelo Edital CONEXÃO CULTURA BRASIL Intercâmbios, da SECRETARIA DE ECONOMIA CRIATIVA (SEC).

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