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O Futuro das Cidades

Um das referências pesquisadas durante nossa estadia na Project for Public Spaces (PPS) foi o documento “Placemaking and The Future of Cities” (Placemaking e o Futuro das Cidades). O documento divulga os 10 melhores casos de projetos em espaços públicos selecionados pela PPS em parceria com a UN-Habitat, que se comprometeram em unir forças e lutar por um desenvolvimento urbano sustentável.

placemaking

 

Esse documento tem o objetivo de servir como modelo para outros projetos em espaços públicos e tem o intuito de partilhar ferramentas, exemplos e processos para servir de inspiração para outras cidades. O conteúdo da publicação deve evoluir e ser expandido ao longo do tempo, incorporando os resultados de iniciativas bem sucedidas de placemaking que forem surgindo pelo mundo.


Seguem 3 casos inspiradores divulgados em “Placemaking & The Future of Cities”:

 

TOP 1. Medelín, Colombia: Conectando a cidade

A cidade de Medellín, na Colombia, construiu um sistema de transporte público que une os bairros “formais” e “informais” (as nossas favelas), melhorando a qualidade de vida nas ruas e contribuindo para a inclusão social. O Medellín Metrocable, um bonde aéreo, conecta os bairros periféricos da cidade, que antigamente eram consideradas áreas com alto índice de criminalidade. Moradores da periferia, que eram tradicionalmente marginalizados, agora têm acesso rápido ao principal sistema de metrô da cidade. Uma conexão que costumava representar uma caminhada difícil, tendo que subir e descer centenas de degraus ou mesmo um “lotação” bem demorada, virou um paraíso para os moradores, rápido, acessível e inclusivo.

Medellín Metrocable Linea J – Foto Steven Dale

Medellín Metrocable Linea J – Foto Steven Dale

Com a construção do Metrocable, a cidade teve a oportunidade de investir na melhoria das periferias, antes negligenciadas. Praças nas entradas do bonde se tornaram centros culturais vivos e divertidos do bairro, com venda de alimentos, cadeiras e paisagismo. Parques, quadras esportivas e livrarias foram construídas nas proximidades. Novas escolas foram construídas e as mais antigas foram melhoradas. A implementação de passarelas de pedestres ligando as partes da cidade que costumavam ser controladas por gangues contribuiu para que as taxas de homicídio desaparecessem (Medellín era considera uma das cidades mais perigosas do mundo). Não só isso, as pessoas de outros bairros da cidade agora se sentem seguras para subir o morro e conhecer novos bairros.

 

TOP 2. México: Espaços Inclusivos

No México, o programa SEDESOL, do Ministério do Desenvolvimento Social, “ressucitou” 42.000 espaços públicos em todo o país nos últimos cinco anos.

O “resgate” dos espaços públicos é um programa que promove a realização de ações sociais e a execução de obras físicas para criar pontos de encontro na comunidade, interação social e entretenimento cotidiano em áreas urbanas marginalizadas e abandonadas.

México - Zocalo

México – Zocalo

O projeto tem como objetivo ajudar a melhorar a qualidade de vida e segurança através da revitalização dos espaços públicos. Além disso, a iniciativa quer conectar o desenvolvimento urbano com o desenvolvimento social; promover a organização e participação das comunidades; aumentar a segurança das comunidades e prevenir ações de vandalismo, ajudando a reforçar o sentimento de pertencimento comunitário e a convivência entre todos.

 

TOP 3. Gyumri, Armenia: Estratégia Simples, Rápida e Barata

Em 1988, Gyumri foi atingida brutalmente por um terremoto que deixou 25.000 mortos e mais de 100.000 pessoas sem teto. Em 2001, Aram Khachadurian, ex-Chefe de Operações da PPS, ingressou no Instituto Urbano para ajudar a construir milhares de unidades habitacionais para as famílias deslocadas, que ainda viviam em abrigos temporários em espaços públicos por toda a cidade. Com o sucesso do programa de realojamento, a praça central da cidade se tornou, novamente, do público, abrindo o caminho para planejar sua revitalização.

Foto: Project for Public Spaces

Foto: Project for Public Spaces

Em julho de 2003, Gyumri realizou a primeira tentativa desde o terremoto de reativar a vida pública que havia neste centro cultural. Parceiros locais do projeto, incluindo o Instituto Urbano e um comitê local de arquitetos, planejadores, ONGs e autoridades da cidade, ajudaram no processo. Apesar do receio de que todo esse esforço poderia falhar, pois em 6.000 anos de história da Armenia essa participação dos cidadãos tem sido praticamente desconhecida, mais de 70 pessoas participaram de um workshop de um dia inteiro de placemaking. O entusiasmo imediatamente provocou uma colaboração intersetorial na cidade em uma escala sem precedentes. O resultado foi o “New Gyumri Festival” e a “Placemaking EXPO”, que ocorreu apenas dois meses depois. O povo de Gyrumi viu sua praça cheia de pessoas (cerca de 35.000) pela primeira vez na vida!

Entre a longa lista de eventos e melhorias, podemos citar:

  • Um mercado de flores, que desde então se tornou um evento regular bi-semanal
  • Uma pista de patinação de asfalto
  • Um tabuleiro de xadrez gigante feito de madeira pelo clube de xadrez local
  • Sete cafés
  • Iluminação noturna
  • Instalação de novo mobiliário urbano
  • Uma feira de arte
  • Performances, danças, competição de luta livre, ginástica e programas infantis
  • Jardins de flores plantadas pela igreja
  • Novos banners e sinalização de rua
  • Divulgações diárias pelos noticiários televisivos
Gyumri Arts & Craft Festival (Fonte)

Gyumri Arts & Craft Festival (Fonte)

Este evento foi um marco seguido por outros eventos na praça e faz parte de um ressurgimento de uma vida em espaços públicos. Hoje em dia, Gyumri continua com seu processo de revitalização, agora com muitas pessoas bem conscientes do poder de intervenções Rápidas, Simples e Baratas.

 

Texto de: Paola Caiuby.

Este texto foi produzido com base no trabalho realizado com a Project for Public Spaces em fevereiro de 2015, apoiado pelo Edital CONEXÃO CULTURA BRASIL Intercâmbios, da SECRETARIA DE ECONOMIA CRIATIVA (SEC).

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